Se o cenário da
pandemia do novo coronavirus já não é favorável para as nações que têm sua economia mais madura e estável, e impõe de forma categórica e repentina novos modelos
de gestão administrativa, eficácia dos sistemas de saúde e cautela nas relações diplomáticas, no Brasil, o que já não era bom, ficou ainda pior. Diante de um cenário catastrófico, o país,
que se encontrava numa crise econômica e política antes mesmo da candidatura de
Bolsonaro, tem com a COVID-19 toda sua situação geopolítica e monetária
agravada. Ou melhor, revelada. Os ingredientes são simples: um presidente
despreparado e de postura impopular, um país polarizado em suas bases políticas
ideológicas, uma economia frágil e desestabilizada, uma população descrente em relação à idoneidade de seus líderes, o caráter
oportunista por parte de alguns governantes que corrompe o sistema financeiro e
o destino do dinheiro público, um Sistema de Saúde Público vulnerável e uma
política historicamente comprometida com a corrupção. Com tudo isso, a COVID-19
acaba sendo a “cereja do bolo” para o já deficiente panorama brasileiro.
Enquanto no Oriente fábricas, antes voltadas para a produção de equipamentos
bélicos, passam a produzir respiradores e equipamentos hospitalares para ajudar
no combate à COVID-19, no Brasil como se não bastasse a conjuntura causada pela
pandemia, o presidente ainda a transforma numa já conturbada crise política e não só transmite total insegurança à população, como
inflama a discórdia e o ódio através de comportamentos reprováveis aos olhos de
qualquer pessoa com um pouco mais de bom senso e comprometimento com a SAÚDE e
o BEM-ESTAR coletivo. Ao mesmo tempo em que observamos no mundo ações humanitárias brotarem
no campo fértil da solidariedade e da caridade através da atuação conjunta de líderes
globais no combate à pandemia, no Brasil o presidente mais parece querer
aparecer através de uma postura autoritária e com discursos impensados e
inábeis, do que como um líder que queira ser lembrado algum dia, por ter
olhado para o povo brasileiro, neste que certamente será um dos piores momentos
da História Contemporânea. Ao invés de olhar para o povo, parece olhar para os próprios
interesses políticos e, desta forma envergonha, a sociedade civil e militar,
com sua conduta. Talvez isso faça parte de um grande jogo que se chama política
e é aí que mora o problema, porque no meio desta briga, é a vida de milhões de
pessoas que está em jogo. Vale lembrar, que em muitas situações de crise
humanitária, o Exército brasileiro foi (e é) convocado para atuar em Missões de
Paz, e não em ações que promovam o terror, o desequilíbrio e o caos.
Preocupar-se
com a Economia, não significa por à prova a vida dos brasileiros, não significa
desrespeitar a vida do seu próximo, nem subestimar o potencial lesivo
do vírus, tampouco as orientações da OMS (isso, da OMS!). Preocupar-se com a Economia não significa tratar com pilhéria a realidade que o vírus nos obriga a
encarar, nem desprezar a capacidade e os anos de estudo de milhares de
profissionais da saúde ao redor do mundo, bem como seu empenho em salvar vidas.
Preocupar-se com a Economia não significa dividir uma nação, apenas com o
intuito de fazer valer suas próprias vontades, opiniões e convicções, em detrimento do
maior bem que se pode conservar: a vida – a sua e a do próximo-. Preocupar-se
com a Economia SIGNIFICA oferecer um pouco de segurança à população neste
momento em que TODOS nos sentimos inseguros e vulneráveis e entender que não é
a sua verdade que impera, mas sim aquela que a Ciência empiricamente vem
mostrando dia após dia e buscar medidas profícuas para agir com coerência e
responsabilidade dentro da realidade que hoje estamos sendo obrigados a encarar.
Cuidar da Economia do país é sim fundamental. De fato todos nós precisamos de
recursos financeiros para tocar nossas vidas e o sistema, mas isso não
significa DE FORMA ALGUMA preterir a saúde dos milhões de brasileiros que
verdadeiramente fazem a economia deste país girar. A tríade Educação, Saúde e
Economia não devem ser vistas como questões antagônicas, mas sim como sistemas
unos indispensáveis para o desenvolvimento de uma Nação.
Veja bem, isso não tem a ver com concordar ou
discordar. Tem a ver com aceitar que hoje o único que dita as regras não é a Nação, nem seus poderios bélicos, nem sua ideologia política; o único que hoje
dita as regras do jogo é o próprio Coronavirus. Quer competir com ele? Invista
em Ciência, em Educação de qualidade como um todo, em todos os níveis, em todas
as áreas, para toda a sociedade. Invista em Pesquisas Científicas na área da
Saúde, da Biotecnologia, da Biomedicina, da Biologia, etc. Invista em políticas de Saúde
Pública que tenham suas bases na prevenção e não no assistencialismo emergencial; isso significa calcular e preparar o Sistema Público de Saúde com
seis a sete leitos de UTI a mais por um único paciente. Quer competir com ele? Estude-o
e fortaleça seu Sistema de Saúde. Prepare bem seus profissionais da área,
treine-os e INVISTA EM EDUCAÇÃO E SAÚDE, porque com estes dois pilares da
sociedade não se pode barganhar. Isso não tem a ver apenas com política
econômica, mas sim com responsabilidade, bom senso, respeito, comprometimento, ÉTICA e
dentro do atual cenário, no mínimo compaixão.
No
entanto, diante de uma situação já caótica, o que se tem visto por parte do
presidente é um comportamento que reflete seu despreparo para lidar com
cenários de crise e seu desrespeito diante da dor pela perda das vítimas
fatais. Não são “só” números, são famílias que choram e sofrem. Esse é o problema.
Enquanto vermos nosso próximo apenas como uma cifra, bateremos sempre na mesma
tecla e em suma, continuaremos cometendo os mesmos erros. Se a justificativa
para acabar com o isolamento social é a Economia tendo em vista não aumentar o
desemprego ou a fome, entendamos que a fome e o desemprego existiam mesmo antes
da COVID-19. Essa é a justificativa mais
deslavada que se pode dar! Isso não tem a ver com a pandemia ou o isolamento social, mas sim, com a má distribuição de renda, que sim é um
dos problemas que, de longe, vem matando muitas pessoas neste país; mata de
fome, porque lhe nega os direitos básicos à Educação e a uma vida digna.
O
que a COVID-19 vem fazer é rasgar o véu do “jeitinho” brasileiro; vem nos despir
nossa própria prepotência e arrogância; vem nos colocar na posição que nos
confere na criação divina: a de criatura e não de Criador. O que ele vem fazer é
dizer que realmente, do jeito que era, não dá mais para ser. A nós cabe apenas
aceitar e mudar nosso comportamento diante do mundo e diante do nosso próximo.
Observam-se
pelo mundo ações de união e solidariedade e é nestes exemplos que devemos nos
mirar, nos inspirar para pautar nossas ações de agora em diante. Ir para as ruas
em carreatas pedindo o fim do
isolamento não mostra coragem, ou sequer inteligência sobre coisa alguma, mas
sim um total (TOTAL!) desrespeito diante da dor de todos os que perdem seus
familiares vitimados pela COVID-19 e que não puderam sequer oferecer para eles um
enterro digno. Dor que nada impede que seja a sua amanhã.
É
necessário que entendamos o convite que nos é feito para nos melhorarmos
como seres humanos e entendermos que somos TODOS feitos da mesma matéria orgânica,
suscetíveis aos mesmos males que qualquer outro SER HUMANO e paremos de uma vez
por todas de transformar esse momento já tão delicado para todos nós, numa
briga política onde ninguém (NINGUÉM!) irá levar vantagem alguma. Não interessa
neste momento se você apoia ou não o Bolsonaro ou o isolamento social, ou o que
quer que seja. Interessa que você é tão vulnerável quanto qualquer outra
pessoa, e se hoje o mundo tem se unido e pedido “fiquem em casa” é porque TODAS AS VIDAS IMPORTAM, inclusive a sua.
É por você e por seus filhos e netos que nós também dizemos: “fique em casa”, pois quando tudo isso
passar precisaremos de TODOS UNIDOS para enfrentar as dificuldades que virão. A Economia pode e será restaurada; a vida de uma pessoa não. Pensemos nisso
antes! Não é hora de ser político, é hora de ser HUMANO e não transformar esta
pandemia, num pandemônio.

Comentários
Postar um comentário